sábado, 5 de setembro de 2009

Pouca coisa...

"No fim de contas são poucas as palavras que nos doem de verdade, e muito poucas as que conseguem alegrar a alma. E são também muito poucas as pessoas que nos fazem bater o coração, e menos ainda com o correr do tempo.No fim de contas, são pouquíssimas as coisas que na verdade importam nesta vida: poder amar alguém e ser amado,não morrer depois dos nossos filhos ."

Amalia Bautista

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Manet



Ai santinho abandonei... Mas é que eu fiquei em final de período, aí é aquela correria com projetos, depois fui passar minhas férias com meu namorado ai tava ocupada né, ai com o adiamento das aulas pela gripe, os professores voltaram com tudo, eu estou em um ritmo de trabalhos como se o período já estivesse acabando... e nem está... Bom hoje eu acordei tarde perdi minha academia, vou ter que ir a noite... Então tenho que fazer algo produtivo com a minha manhã.

Estou tendo uma aula de cultura contemporânea, onde ficamos analisando influências atuais. Eu tive que dizer minha opinião sobre um quadro de Manet. Eu mais gosto de arte do que entendo, disse a professora que eu podia dizer literalmente MINHA opinião, mesmo que não tivesse nada haver. E gostei porque pela primeira vez eu pude fazer isso. Das outras vezes, ai de mim falar que os quadros cubistas são muito loucos e que eles só são bonitos na arquitetura, ou que picasso não foi feliz com suas distorções, ou que os expressionistas são macabros. Os caras são super consagrados e eu não sou ninguém para criticá-los. Não estou dizendo que quadro bonito é só aquele estilo renascentista com anjinhos e ninfas. Acho que esses artistas que eu não entendo contribuíram para grandes quebras e mudanças de paradigmas, mas tem alguns que não consigo dizer que acho "bonito".

Bom, voltando, vou dar um copy paste no que escrevi para a professora sobre o que acho desse quadro, lógico que rolou uma pesquisazinha para não falar nenhuma asneira né.

Ao olhar para o todo do quadro, sem detalhes, vi um sem dúvidas um espelho que refletia a imagem da garçonete, assim como o lustre e o público. Agora depois com um olhar mais minucioso várias questões foram levantadas. Se atrás é um espelho, e aquela imagem seria das costas da garçonete, o senhor em sua frente estaria incrivelmente próximo, a ponto de tampar a visão dela. Todos os elementos do quadro parecem terminar em um mesmo ponto, o topo da cabeça da servente, as garrafas, as frutas, o vaso de flores parece que tudo está indo em sua direção, como se fosse um poder de atração. Para que a garçonete também seguisse a mesma direção dos elementos do quadro, a flor em seu busto também a direciona para cima e para o meio. A imagem é irreal. O olhar da servente parece dizer que ela não está ali. E os erros nos reflexos tornam os supostos reflexos impossíveis. A mulher pode até ser real, mas a cena a sua volta muito improvável. A iluminação é fantástica, sombras claras e pontos detalhadamente iluminados e essas iluminações é que criam o ambiente irreal ao redor da mulher. A peça chave para perceber que essa imagem é fantasmagórica é o cliente que fica estrategicamente menos iluminado. O lustre joga toda a atenção para o lado esquerdo do quadro o que nos da essa impressão de um reflexo. Ela é um retrato estático, apesar das centenas de pessoas supostamente a sua frente, a postura dessa moça congela o momento que o quadro retrata, como se tudo parasse. É uma imagem extremamente sedutora.

Ah! esqueci de falar que quadro é esse. É de Manet, pintor impressionista. Esse quadro se chama "Un bar aux folies- Bergerés" é de 1881, foi o último e considerado um dos melhores quadros de Manet, eu gosto mais daquele do barquinho em Veneza, agora não sei o nome, mas eu sou leiga lembra? Acho que Folies é na França e deve ser em Paris, nessa época tudo acontecia por lá, depois eu procuro do Google Maps e digo. Vou tentar escrever bem mais, até porque eu gosto...